{"id":7607,"date":"2023-09-01T13:48:24","date_gmt":"2023-09-01T13:48:24","guid":{"rendered":"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/?p=7607"},"modified":"2023-10-10T19:34:58","modified_gmt":"2023-10-10T19:34:58","slug":"neuralgia-do-trigenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/?p=7607","title":{"rendered":"Neuralgia do Trig\u00eanio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A neuralgia do trig\u00eameo ou tamb\u00e9m classicamente chamada de nevralgia trigeminal, \u00e9 um tipo de s\u00edndrome dolorosa caracterizada por dor no rosto principalmente como um choque el\u00e9trico ou dor em fortes pontadas. Ocorre em geral apenas em uma regi\u00e3o da face em um dos lados e se confunde muito com dor nos dentes ou de origem dent\u00e1ria. \u00c9 descrita pelas pessoas que j\u00e1 a apresentam como a pior dor imagin\u00e1vel e ocorre em uma regi\u00e3o muito sens\u00edvel e densamente inervada que \u00e9 a face. Causa profundo sofrimento e faz com que a pessoa pare tudo o que est\u00e1 fazendo pelas fortes rajadas de dor na face.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sintomas e caracter\u00edsticas da Neuralgia Trigeminal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos nomes j\u00e1 conhecidos a neuralgia do trig\u00eamio, tamb\u00e9m chamada de tic douloureux (do Franc\u00eas), \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de dor cr\u00f4nica que afeta o trig\u00eamio ou quinto nervo craniano, um dos nervos mais denso e ramificados de todo o corpo e inerva a regi\u00e3o da face. A Neuralgia do Trig\u00eamio \u00e9 uma forma de dor neurop\u00e1tica (dor por disfun\u00e7\u00e3o ou les\u00e3o de um nervo). A forma t\u00edpica ou \u201ccl\u00e1ssica\u201d do dist\u00farbio causa dor extrema, espor\u00e1dica, queima\u00e7\u00e3o repentina ou dor facial semelhante a choque que dura de alguns segundos a at\u00e9 dois minutos por epis\u00f3dio. Esses ataques podem ocorrer em r\u00e1pida sucess\u00e3o, em surtos que duram at\u00e9 duas horas. Existe tamb\u00e9m a chamada a forma \u201cat\u00edpica\u201d, bem menos comum, caracterizada por dor constante, queima\u00e7\u00e3o e pontadas de intensidade um pouco mais baixa do que a forma cl\u00e1ssica. Ambas as formas de dor podem ocorrer na mesma pessoa, \u00e0s vezes ao mesmo tempo. A dor por ser de forte intensidade, causa extremo desconforto, sofrimento e medo de haver a dor, sendo assim motivo frequente de restri\u00e7\u00e3o de atividades e dr\u00e1stica perda na qualidade de vida. A neuralgia do trig\u00eamio ocorre com mais frequ\u00eancia em pessoas com mais de 50 anos e aumenta sua incid\u00eancia em idades mais avan\u00e7adas, embora possa ocorrer em qualquer idade, muito raramente na inf\u00e2ncia. A incid\u00eancia de novos casos \u00e9 de aproximadamente 12 por 100.000 pessoas por ano; o dist\u00farbio \u00e9 mais comum em mulheres do que em homens.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"839\" src=\"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/neuralgia-do-trigemio-idade-no-diagnostico-1024x839-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7608\" srcset=\"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/neuralgia-do-trigemio-idade-no-diagnostico-1024x839-1.png 1024w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/neuralgia-do-trigemio-idade-no-diagnostico-1024x839-1-300x246.png 300w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/neuralgia-do-trigemio-idade-no-diagnostico-1024x839-1-768x629.png 768w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/neuralgia-do-trigemio-idade-no-diagnostico-1024x839-1-600x492.png 600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diagn\u00f3stico (baseado em sintomas)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico da neuralgia do trig\u00eamio \u00e9 baseada em sintomas e consequentemente em crit\u00e9rios cl\u00ednicos sendo os tr\u00eas crit\u00e9rios principais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Dor restrita ao territ\u00f3rio de uma ou mais divis\u00f5es do nervo trig\u00eamio;<br>\u2981 Surtos s\u00fabitos de dor, muito intensos e de curta dura\u00e7\u00e3o (entre 1 segundo e 2 minutos, mas geralmente alguns poucos segundos) e descritos como um \u201cchoque\u201d ou uma \u201csensa\u00e7\u00e3o el\u00e9trica\u201d;<br>\u2981 Dor desencadeada por est\u00edmulos ou toques na face ou na boca e dentes; est\u00edmulos que normalmente n\u00e3o causam dor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dor com essas caracter\u00edsticas \u00e9 descrita como \u201cparox\u00edstica\u201d (surtos r\u00e1pidos e curtos que passam em alguns segundos e voltam) mas tamb\u00e9m \u00e9 iniciada por um toque ou brisa na face, boca ou nos dentes. Esse tipo de dor em choque que ocorre ap\u00f3s um \u201cgatilho\u201d \u00e9 particularmente relatada por at\u00e9 99% dos pacientes, sendo assim considerada praticamente indicativa do diagn\u00f3stico de neuralgia do trig\u00eamio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nervo Trig\u00eameo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nervo trig\u00eameo \u00e9 um dos 12 pares de nervos cranianos que est\u00e3o ligados diretamente ao c\u00e9rebro ou tronco cerebral. O nervo tem tr\u00eas ramos que conduzem as sensa\u00e7\u00f5es das partes superior, m\u00e9dia e inferior da face, bem como da cavidade oral, at\u00e9 o c\u00e9rebro. O nervo trig\u00eameo \u00e9 o principal nervo da face e sua fun\u00e7\u00e3o primordial \u00e9 veicular toda a sensibilidade desde o topo da cabe\u00e7a, toda a face e a maior parte da boca e l\u00edngua. Mas \u00e9 anatomicamente o quinto nervo craniano (V em algarismo romano) e \u00e9 um nervo misto pois possui fun\u00e7\u00f5es sensoriais e motoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existem tr\u00eas divis\u00f5es do nervo trig\u00eameo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Divis\u00e3o oft\u00e1lmica ou primeira divis\u00e3o (V1)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Divis\u00e3o maxilar ou segunda divis\u00e3o (V2)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Divis\u00e3o mandibular ou terceira divis\u00e3o (V3)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ramo oft\u00e1lmico \u00e9 a primeira divis\u00e3o do nervo trig\u00eamio. \u00c9 um nervo puramente sensorial que carrega est\u00edmulos de dor, tato e temperatura da c\u00f3rnea, das p\u00e1lpebras superiores e fronte e at\u00e9 o v\u00e9rtice da cabe\u00e7a. Tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por veicular fibras nervosas simp\u00e1ticas ao corpo ciliar, gl\u00e2ndulas lacrimais, c\u00f3rnea e conjuntiva do olho e cavidade nasal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divis\u00e3o maxilar do nervo trig\u00eamio (V 2) \u00e9 puramente sensorial que carrega impulsos do meio da face, ma\u00e7\u00e3 do rosto at\u00e9 perto da orelha. Importante lembrar que a divis\u00e3o maxilar leva sensibilidade para a arcada dent\u00e1ria superior e gengiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo dos tr\u00eas ramos do trig\u00eameo \u00e9 a divis\u00e3o mandibular (V 3). Como o maior componente do trig\u00eamio, ele carrega est\u00edmulos sensoriais e motores. Os ramos motores correspondem aos m\u00fasculos que se originaram do primeiro arco far\u00edngeo. Os ramos sensoriais suprem o ter\u00e7o inferior da face, queixo, boca, arcada dent\u00e1ria inferior e gengiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.erichfonoff.com.br\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/nervo-trig%C3%AAmeo-p5ivzzrxurwmjv0rruywjr3z93ip7f650kkhjxssoo.png\" alt=\"nervo trig\u00eameo\" title=\"nervo trig\u00eameo\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A figura acima mostra o territ\u00f3rio de inerva\u00e7\u00e3o sensitiva de cada divis\u00e3o do nervo trig\u00eamio: Primeira divis\u00e3o (V1) ou Oft\u00e1lmica, Segunda Divis\u00e3o (V2) ou Maxilar, Terceira divis\u00e3o (V3) ou Mandibular.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sintomas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dor da neuralgia do trig\u00eameo afeta mais frequentemente a regi\u00e3o maxilar ou mandibular na face correspondente a 2a e 3a divis\u00f5es do nervo trig\u00eameo, sendo o lado direito da face mais frequentemente. Mais de um ramo nervoso pode ser afetado pelo dist\u00farbio. Raramente, ambos os lados da face podem ser afetados em momentos diferentes em um indiv\u00edduo, ou ainda menos comum que seja ao mesmo tempo. A neuralgia trigeminal bilateral (ambos os lados) \u00e9 rara e chama aten\u00e7\u00e3o para uma poss\u00edvel doen\u00e7a neurol\u00f3gica subjacente ou um dist\u00farbio n\u00e3o neurol\u00f3gico que afete o cr\u00e2nio. A incid\u00eancia de neuralgia do trig\u00eamio \u00e9 maior entre as mulheres do que entre os homens e aumenta com a idade, sendo bem mais frequente ap\u00f3s os 60 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Muitas formas de dor facial foram associadas \u00e0 neuralgia do trig\u00eameo, mas provavelmente s\u00e3o entidades distintas, \u00e0s vezes inclu\u00eddas na categoria de \u201cdor facial at\u00edpica\u201d ou \u201cneuropatia trigeminal dolorosa\u201d. Parte de tr\u00e1s do couro cabeludo, a orelha externa (com exce\u00e7\u00e3o do trago) e a pele que recobre o \u00e2ngulo da mand\u00edbula n\u00e3o s\u00e3o inervados pelo nervo trig\u00eamio e n\u00e3o s\u00e3o locais de dor devido \u00e0 neuralgia do trig\u00eameo; a dor nessas \u00e1reas sugere outra doen\u00e7a e deve ser investigada de modo diverso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dor da neuralgia do trig\u00eameo pode ser desencadeada por gestos comuns da vida di\u00e1ria, e os gatilhos est\u00e3o em pequenas \u00e1reas de pele como por exemplo, o toque de um guardanapo ou tecido no l\u00e1bio superior ou at\u00e9 mesmo uma brisa fluindo em uma \u00e1rea sens\u00edvel da face. A localiza\u00e7\u00e3o da dor nem sempre \u00e9 concordante com o local de um gatilho sensorial. Por exemplo, est\u00edmulos dentro e ao redor do l\u00e1bio inferior podem induzir dor na t\u00eampora, ou gatilhos sensoriais nas partes laterais do nariz podem induzir uma dor semelhante a um choque que se irradia para a fronte ou l\u00e1bio superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos s\u00e3o os gestos do dia a dia que podem desencadear a dor: Falar, lavar o rosto, mastiga\u00e7\u00e3o, escovar os dentes, enxugar o rosto com uma toalha, comer ou engolir, tomar l\u00edquidos principalmente gelados, barbear-se, aplicar maquiagem, pentear o cabelo ou lavar o cabelo, assoar o nariz, tocar suavemente o rosto, abrir ou fecha a boca, mover a cabe\u00e7a, bocejar, pronuncia letras labiais ou elevar a voz, rir e at\u00e9 movimentos dos olhos e da l\u00edngua ou mais raramente flexionar o tronco para frente. Em geral as pessoas relatam algum gatilho como os citados acima e isso chama a aten\u00e7\u00e3o para o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exame de neuralgia do trig\u00eameo inclui a observa\u00e7\u00e3o da face enquanto o paciente est\u00e1 sentado e completamente im\u00f3vel. Com um paroxismo espont\u00e2neo de neuralgia do trig\u00eameo, o m\u00e9dico pode notar um piscamento ou um pequeno movimento da boca do qual o paciente n\u00e3o percebe. Mais raramente, durante um ataque de dor, pode ocorrer uma contra\u00e7\u00e3o forte dos m\u00fasculos faciais. O exame sensorial da face geralmente n\u00e3o \u00e9 revelador, ou seja n\u00e3o se percebe facilmente altera\u00e7\u00f5es sensitivas na face de que apresenta neuralgia, mas podem ser encontradas \u00e1reas de discreta redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade (hipoestesia leve).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Neuralgia-do-trigemeo-SUBSTITUIR-A-4\u00b0FOTO.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11231\" style=\"width:589px;height:589px\" width=\"589\" height=\"589\" title=\"dores no nervo trig\u00eameo\" srcset=\"https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Neuralgia-do-trigemeo-SUBSTITUIR-A-4\u00b0FOTO.jpeg 479w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Neuralgia-do-trigemeo-SUBSTITUIR-A-4\u00b0FOTO-300x300.jpeg 300w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Neuralgia-do-trigemeo-SUBSTITUIR-A-4\u00b0FOTO-150x150.jpeg 150w, https:\/\/drasimonelacerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Neuralgia-do-trigemeo-SUBSTITUIR-A-4\u00b0FOTO-100x100.jpeg 100w\" sizes=\"(max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Localiza\u00e7\u00e3o mais comum de dor na neuralgia trigeminal marcadas na face deste modelo que ocorrem frequentemente nas \u00e1reas em amarelo e principalmente em vermelho.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como diferenciar a Neuralgia Trigeminal de Disfun\u00e7\u00e3o t\u00eamporo-mandibular (DTM)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sintomas da neuralgia do trig\u00eameo foram descritos acima e s\u00e3o muito diferentes da DTM. A Disfun\u00e7\u00e3o t\u00eamporo-mandibular \u00e9 uma disfun\u00e7\u00e3o na Articula\u00e7\u00e3o T\u00eamporo-mandibular, ou seja, a articula\u00e7\u00e3o que faz a abertura da boca e pode ser palpada facilmente colocando um dedo logo a frente do ouvido com a boca fechada e abrir a boca lentamente que ser\u00e1 percept\u00edvel a movimenta\u00e7\u00e3o o da mand\u00edbula junto \u00e0 pr\u00f3pria articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a DTM \u00e9 a disfun\u00e7\u00e3o na ATM. Essa pode causar dor local ou limita\u00e7\u00e3o ao tentar abrir a boca ou mesmo haver estalos ou crepita\u00e7\u00e3o nesse movimento. Quando a dor torna-se cr\u00f4nica na DTM pode se irradiar para locais na face e na regi\u00e3o das t\u00eamporas. Mas a dor em geral \u00e9 continua e mal localizada, enquanto a dor trigeminal \u00e9 bastante aguda e em car\u00e1ter de choque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A DTM pode ser causada por m\u00e1 postura ou maus h\u00e1bitos como ficar mordendo os l\u00e1bios ou a bochecha apoiar a mand\u00edbula nas m\u00e3os, morder objetos ou pontas de caneta e at\u00e9 mesmo roer as unhas. Pode ser desencadeada por traumas na mand\u00edbula ou ainda doen\u00e7as inflamat\u00f3rio das articula\u00e7\u00f5es como artrite na ATM. Afinal, a DTM pode causar neuralgia do trig\u00eameo? N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre uma doen\u00e7a e outra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como diferenciar a Neuralgia Trigeminal de uma dor de dente<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a dor de dente possa ser muito dolorida e cause um grande transtorno at\u00e9 que seja resolvida, \u00e9 muito diferente da neuralgia trigeminal que \u00e9 uma das dores mais intensas descrita no ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral a simples dor de dente adv\u00e9m de uma inflama\u00e7\u00e3o em um ou mais dentes e tende a ser localizada e cont\u00ednua. Quando o dente em quest\u00e3o \u00e9 tocado pode desencadear a dor ou mesmo fica sens\u00edvel ao toque. J\u00e1 a neuralgia trigeminal, que pode ser desencadeada por um toque no dente ou nos dentes de uma arcada dent\u00e1ria mas a dor \u00e9 em geral na face mas pode incluir os dentes, mas n\u00e3o ser localizada especificamente em um dos dentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inflama\u00e7\u00e3o que causa a dor de dente tamb\u00e9m pode ocasionar incha\u00e7o no rosto ou mesmo na gengiva e criar g\u00e2nglios inflamat\u00f3rios palp\u00e1veis e dolorosos na regi\u00e3o do pesco\u00e7o logo abaixo da mand\u00edbula ou mesmo pr\u00f3ximo \u00e0 orelha, quando se trata de um abcesso dent\u00e1rio. J\u00e1 a neuralgia do trig\u00eamio n\u00e3o causa incha\u00e7o no rosto ou na boca, embora a pessoa que sente a dor trigeminal possa ter a sensa\u00e7\u00e3o que o rosto est\u00e1 inchado. Normalmente uma outra pessoa ou um profissional examinando o local n\u00e3o ver\u00e1 incha\u00e7o quando for neuralgia trigeminal, pos pode ver quando for dor de dente ou abcesso dent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Causas e Tipos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas tipos de neuralgia do trig\u00eameo foram descritos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Neuralgia do Trig\u00eameo Cl\u00e1ssica: \u00e9 a mais comum, causada pela compress\u00e3o vascular intracraniana da raiz do nervo trig\u00eameo. O vaso respons\u00e1vel geralmente \u00e9 a art\u00e9ria cerebelar superior, que induz altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas e funcionais na raiz do nervo trig\u00eameo adjacente. Admite-se que haja fatores individuais predisponentes para o desenvolvimento da neuralgia trigeminal e que o contato repetido do vaso com o nervo possa, em indiv\u00edduos com essa predisposi\u00e7\u00e3o precipitar a neuralgia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos pacientes apresentam compress\u00e3o do nervo trig\u00eameo por um vaso sangu\u00edneo pr\u00f3ximo a \u00e1rea onde o nervo penetra no c\u00e9rebro. Admite-se que at\u00e9 15% da popula\u00e7\u00e3o exibem tal compress\u00e3o do nervo por um vaso, no entanto, apenas poucos desenvolvem neuralgia do trig\u00eameo propriamente dita. Existem casos familiares de neuralgia trigeminal e estudos que mostraram altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9tico-familiares em canais i\u00f4nicos, o que refor\u00e7a essa hip\u00f3tese, mas claramente a maior parte dos casos s\u00e3o \u00fanicos nas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>\u2981 Neuralgia trigeminal idiop\u00e1tica, na qual nenhuma causa aparente de dist\u00farbio do nervo pode ser encontrada, \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente 10% dos casos. Em geral est\u00e1 inclu\u00edda no primeiro tipo pela maior parte dos autores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981 Neuralgia Trigeminal Secund\u00e1ria, que explica em aproximadamente 15% dos casos, \u00e9 atribu\u00edvel a uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica a ser diagnosticada, como esclerose m\u00faltipla ou um tumor no \u00e2ngulo cerebelopontino, que comprime a zona de entrada da raiz do nervo trig\u00eamio junto ao tronco cerebral ou de outra forma comprime o nervo em seu curso extracraniano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As caracter\u00edsticas cl\u00ednicas da neuralgia do trig\u00eameo cl\u00e1ssica e secund\u00e1ria s\u00e3o semelhantes, embora os pacientes com neuralgia do trig\u00eameo secund\u00e1ria sejam geralmente mais jovens, mais propensos a ter perda sensitiva na face e a ter dor bilateral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que as tr\u00eas formas de neuralgia trigeminal podem ser clinicamente indistingu\u00edveis, a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica encef\u00e1lica para descartar outras doen\u00e7as ou detectar causas secund\u00e1rias (esclerose m\u00faltipla e tumores cerebelopontinas) \u00e9 aconselh\u00e1vel no momento do diagn\u00f3stico inicial. Estudos recentes mostraram variantes raras em genes que codificam canais i\u00f4nicos dependentes de voltagem em pacientes com hist\u00f3ria familiar de neuralgia trigeminal cl\u00e1ssica ou idiop\u00e1tica, mas a frequ\u00eancia e a import\u00e2ncia cl\u00ednica desse achado n\u00e3o s\u00e3o conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 15% dos pacientes com ataques de dor t\u00edpicos, a neuralgia do trig\u00eamio \u00e9 causada por esclerose m\u00faltipla ou por tumores benignos no \u00e2ngulo cerebelopontino. O risco de neuralgia do trig\u00eameo \u00e9 20 vezes maior entre os pacientes com esclerose m\u00faltipla, pois em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral, a preval\u00eancia de neuralgia trigeminal nesses pacientes est\u00e1 entre 2 a 5% dos pacientes. A neuralgia do trig\u00eameo relacionada \u00e0 esclerose m\u00faltipla \u00e9 atribu\u00edda a desmieliniza\u00e7\u00e3o no tronco cerebral, ou seja no fasc\u00edculo do trig\u00eameo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocasionalmente, a neuralgia do trig\u00eameo se manifesta como uma s\u00edndrome clinicamente isolada em pacientes com esclerose m\u00faltipla; a idade de in\u00edcio da esclerose m\u00faltipla \u00e9 maior para esses pacientes do que para aqueles que apresentam outras formas de esclerose m\u00faltipla. Um estudo de neuroimagem mostrou associa\u00e7\u00e3o entre compress\u00e3o neurovascular e neuralgia do trig\u00eamio relacionada \u00e0 esclerose m\u00faltipla, sugerindo que ambos os mecanismos podem coexistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frequ\u00eancia desse mecanismo duplo n\u00e3o \u00e9 conhecida, mas tem implica\u00e7\u00f5es para o tratamento. O tratamento farmacol\u00f3gico da dor da neuralgia do trig\u00eamio em pacientes com esclerose m\u00faltipla \u00e9 desafiador pois frequentemente s\u00e3o necess\u00e1rias doses mais altas nesses pacientes e assim s\u00e3o mais frequentes seus efeitos colaterais, agravamento dos sintomas da esclerose m\u00faltipla, como fadiga e ataxia (desequil\u00edbrio) em geral limita muito o tratamento. S\u00e9rie de casos indica que procedimentos cir\u00fargicos para reduzir a compress\u00e3o vascular tendem a ser menos eficazes em pacientes com neuralgia do trig\u00eameo causada por esclerose m\u00faltipla do que em pacientes com neuralgia do trig\u00eameo cl\u00e1ssica. O que faz sentido pois conforme comentado acima, pois pressup\u00f5e um mecanismo duplo, o que a descompress\u00e3o neurovascular n\u00e3o combate plenamente. Ou seja, em pacientes com neuralgia trigeminal relacionado a esclerose m\u00faltipla, est\u00e3o indicados m\u00e9todos percut\u00e2neos (veja abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Raramente tumores no \u00e2ngulo cerebelopontino que comprimem a raiz do nervo trig\u00eamio podem causar neuralgia do trig\u00eameo. Mas as les\u00f5es tumorais mais frequentemente associadas incluem neuromas ac\u00fasticos,<br>meningiomas, cistos epiderm\u00f3ides e colesteatomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, os neuromas do trig\u00eamio (que s\u00e3o ainda mais raros) n\u00e3o est\u00e3o associados \u00e0 neuralgia do trig\u00eameo. Em uma an\u00e1lise de dados em v\u00e1rios estudos colocados em conjunto, incluindo quase 250 pacientes com neuralgia do trig\u00eamio, os tumores foram a causa em 20 pacientes (8%), mas a maior parte dos tumores desta regi\u00e3o n\u00e3o cursa com dor semelhante a neuralgia trigeminal, e sim outros sintomas. De qualquer modo, a compress\u00e3o do nervo trig\u00eameo por tumores induz a desmieliniza\u00e7\u00e3o focal da raiz do nervo trig\u00eameo, desencadeando a mesma gera\u00e7\u00e3o de descargas de alta frequ\u00eancia em ax\u00f4nios desnudados que ocorre na compress\u00e3o vascular do nervo. Tumores malignos infiltrativos tamb\u00e9m podem causar degenera\u00e7\u00e3o axonal, resultando em hipoestesia em regi\u00f5es da face e dor persistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neuropatias do trig\u00eameo devido a traumatismo ou doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas, como l\u00fapus eritematoso sist\u00eamico e esclerodermia, podem se manifestar com dor parox\u00edstica mimetizando neuralgia do trig\u00eameo, mas essas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante raras. A neuropatia do trig\u00eameo, nesses casos, pode come\u00e7ar com dor parox\u00edstica unilateral, mas a perda sensorial uni ou bilateral logo se desenvolve em regi\u00f5es da face com dor cont\u00ednua, um dist\u00farbio frequentemente denominado neurite ou neuropatia do trig\u00eameo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trauma facial, procedimentos odontol\u00f3gicos ou cirurgia maxilofacial podem danificar ramos do nervo trig\u00eameo, causando dor com caracter\u00edsticas semelhantes a pontadas, choque el\u00e9trico ou queima\u00e7\u00e3o. No entanto, os ataques de dor t\u00eam uma dura\u00e7\u00e3o mais longa do que os paroxismos da neuralgia do trig\u00eameo, e a maioria dos pacientes tamb\u00e9m descreve uma dor intensa cont\u00ednua sem zonas de gatilho sensoriais espec\u00edficas.<strong>Compress\u00e3o neurovascular na Neuralgia do Trig\u00eamio Cl\u00e1ssica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a forma cl\u00e1ssica de neuralgia do trig\u00eamio foi revelada por meio do trabalho de diversos autores entre eles, Peter Jannetta, sendo sugerido que a compress\u00e3o da raiz do nervo trig\u00eamio por um vaso sangu\u00edneo,&nbsp; mais frequentemente uma art\u00e9ria pudesse explicar pelo menos parte do mecanismo da doen\u00e7a. Assim, na \u00e9poca, foi proposta uma t\u00e9cnica microcir\u00fargica de descompress\u00e3o por meio de cirurgia microvascular intracraniana que pudesse oferecer uma cura em potencial para a neuralgia do trig\u00eamio. Assim, em pessoas com uma predisposi\u00e7\u00e3o pessoal que apresente compress\u00e3o da por\u00e7\u00e3o sensitiva do nervo trig\u00eamio, pr\u00f3ximo \u00e0 zona de entrada de sua raiz no tronco cerebral pode desenvolver ao longo da vida sintomas de neuralgia trigeminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesses casos a raiz do nervo trig\u00eamio, mais especificamente em sua por\u00e7\u00e3o pontina, pode ser comprimida por um pequeno ramo arterial adjacente da art\u00e9ria basilar, mais frequentemente a art\u00e9ria cerebelar superior. No entanto, o simples contato entre o nervo e uma estrutura vascular n\u00e3o parece ser suficiente para causar ou explicar o dist\u00farbio. Para atribuir o dist\u00farbio \u00e0 compress\u00e3o neurovascular, idealmente deve ser demonstrado que o vaso an\u00f4malo induz altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas na raiz do trig\u00eamio, como distor\u00e7\u00e3o ou atrofia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O achado mais caracter\u00edstico na opera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pequena art\u00e9ria tortuosa ou al\u00e7a arterial colidindo com o aspecto medial da raiz do trig\u00eamio em sua zona de entrada, causando deslocamento lateral, distor\u00e7\u00e3o, achatamento ou atrofia da raiz do trig\u00eamio. A compress\u00e3o neurovascular pode ser vista por meio de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica encef\u00e1lica orientada a essa regi\u00e3o, mas nem sempre o exame mostra claramente a compress\u00e3o e mesmo assim pode estar presente.&nbsp;<strong>Diagn\u00f3stico da Compress\u00e3o Neurovascular por Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e reconstru\u00e7\u00e3o tridimensional tem auxiliado no diagn\u00f3stico da compress\u00e3o neurovascular na neuralgia trigeminal. As t\u00e9cnicas de imagem incluem sequ\u00eancias de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica ponderadas em T2 tridimensionais com exame detalhado dos segmentos cisternal e cavernosos do nervo, angiografia por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica tridimensional para visualiza\u00e7\u00e3o das art\u00e9rias e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica por contraste de fase auxilia na demonstra\u00e7\u00e3o das veias para exibir veias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As caracter\u00edsticas espec\u00edficas de imagem que identificam altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas na raiz do trig\u00eamio com certeza variam conforme a an\u00e1lise. No entanto, v\u00e1rios estudos sugeriram que as altera\u00e7\u00f5es microestruturais no nervo em locais de compress\u00e3o vascular podem ser quantificadas com o uso de imagens de tensor de difus\u00e3o e tractografia para sugerir desmieliniza\u00e7\u00e3o focal e edema. Sendo feito o diagn\u00f3stico com aux\u00edlio da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica o paciente pode ser levado \u00e0 descompress\u00e3o neurovascular pode reverter essas anormalidades na zona de entrada da raiz do trig\u00eamio, onde a por\u00e7\u00e3o sensorial do nervo entra na ponte ventral e promove melhora dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 atualmente considerado o ainda o m\u00e9todo terap\u00eautico mais eficaz e que menos traz recidiva da dor sem que haja necessidade de haver altera\u00e7\u00f5es sensitivas na&nbsp; face.<strong>Mecanismo da dor (Fisiopatologia)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua origem no tronco cerebral, o nervo trig\u00eamio (como todos os nervos perif\u00e9ricos) perde sua bainha de mielina da c\u00e9lula de Schwann, que \u00e9 substitu\u00edda pela mielina central gerada por oligodendroglia. Esta zona de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 vulner\u00e1vel a danos e principalmente \u00e0 desmieliniza\u00e7\u00e3o, criando-se uma zona de instabilidade no nervo. A compress\u00e3o vascular \u00e9 a causa comum de desmieliniza\u00e7\u00e3o no local imediatamente antes de o nervo entrar na ponte, e a esclerose m\u00faltipla \u00e9 a causa t\u00edpica no local logo ap\u00f3s a entrada na ponte. A desmieliniza\u00e7\u00e3o nesses locais foi demonstrada em estudos neurofisiol\u00f3gicos, neuroimagem e histol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a bainha de mielina se torna fina ou descont\u00ednua o suficiente para permitir a passagem transmembrana de \u00edons no ax\u00f4nio subjacente, o ax\u00f4nio n\u00e3o est\u00e1 equipado para bombear imediatamente o s\u00f3dio. A despolariza\u00e7\u00e3o resultante torna o ax\u00f4nio hiperexcit\u00e1vel, causando gera\u00e7\u00e3o ect\u00f3pica de impulsos com p\u00f3s-descargas de alta frequ\u00eancia (descargas que ocorrem ap\u00f3s o t\u00e9rmino do est\u00edmulo) e interfer\u00eancia entre as fibras (chamada de transmiss\u00e3o ef\u00e1tica).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evid\u00eancia histol\u00f3gica indica que as fibras nervosas mais envolvidas na desmieliniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as fibras A-\u03b2 (fibras muito mielinizadas e de grosso calibre que veicula o tato), que s\u00e3o as mais suscet\u00edveis \u00e0 desmieliniza\u00e7\u00e3o por dano mec\u00e2nico ou esclerose m\u00faltipla. Foi proposto que as descargas de alta frequ\u00eancia originadas no local da desmieliniza\u00e7\u00e3o ao longo dos das fibras A-\u03b2 s\u00e3o redirecionadas pelos neur\u00f4nios do tronco cerebral para serem percebidas como dor parox\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns investigadores observaram excitabilidade excessiva ou altera\u00e7\u00f5es neuropl\u00e1sticas em v\u00e1rias \u00e1reas cerebrais corticais e subcorticais em pacientes com neuralgia do trig\u00eamio, e admite-se que tais altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o provavelmente consequ\u00eancias da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica dessas regi\u00f5es.<strong>Neuralgia do trig\u00eamio com dor cont\u00ednua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a dor facial parox\u00edstica seja a marca registrada da neuralgia do trig\u00eamio, at\u00e9 metade dos pacientes podem relatar dor cont\u00ednua ou de longa dura\u00e7\u00e3o entre os ataques de dor em choque. A dor flutuante se mostra como se fosse um pano de fundo, sendo o local correspondente ou com a mesma distribui\u00e7\u00e3o que a dor parox\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral essa dor de maior dura\u00e7\u00e3o \u00e9 descrita como queima\u00e7\u00e3o ou dor latejante. No passado, a neuralgia do trig\u00eamio caracterizada por dor mais duradoura e cont\u00ednua, independentemente da causa, era classificada como neuralgia do trig\u00eamio tipo 2 ou neuralgia at\u00edpica do trig\u00eamio e atualmente \u00e9 classificada como neuralgia do trig\u00eamio com dor cont\u00ednua concomitante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mecanismo subjacente \u00e0 dor cont\u00ednua \u00e9 diferente do mecanismo subjacente \u00e0 dor parox\u00edstica. Em geral, a dor continua n\u00e3o responde satisfatoriamente ao tratamento com bloqueadores dos canais de s\u00f3dio (carbamazepina, oxcarbazepina) e tamb\u00e9m tende a n\u00e3o responder \u00e0 descompress\u00e3o microvascular em compara\u00e7\u00e3o com a dor parox\u00edstica. A liga\u00e7\u00e3o fisiopatol\u00f3gica entre as duas entidades de dor \u00e9 incerta. A principal hip\u00f3tese \u00e9 que danos progressivos da raiz do nervo e mecanismos de sensibiliza\u00e7\u00e3o central por meio de plasticidade cerebral alteraram o sistema nervoso e culminam nesses tipo de dor associada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Admite-se que a dor cont\u00ednua seja mediada pelo comprometimento de fibras (ax\u00f4nios sensoriais amiel\u00ednicos que transmitem impulsos mais lentamente), como mostrado em outras condi\u00e7\u00f5es de dor neurop\u00e1tica. A perda de fibras C na raiz sensorial do trig\u00eamio pode causar atividade espont\u00e2nea anormal em neur\u00f4nios de segunda ordem no tronco encef\u00e1lico como resultado de supersensibilidade de desnerva\u00e7\u00e3o de membranas p\u00f3s-sin\u00e1pticas expostas a neurotransmissores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Neuralgia do trig\u00eameo tem cura?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A neuralgia do trig\u00eamio \u00e9 uma doen\u00e7a causada por uma disfun\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica baseada em altera\u00e7\u00f5es na mielina (bainha) do nervo trig\u00eameo que tende a se desfazer ou a adquirir falhas motivadas pela compress\u00e3o neurovascular de art\u00e9rias sobre o nervo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto muitas pessoas possuem a mesma compress\u00e3o da art\u00e9ria sobre o nervo, mas n\u00e3o desenvolve a neuralgia trigeminal propriamente dita. Assim acredita-se que h\u00e1 uma predisposi\u00e7\u00e3o pessoal que provavelmente \u00e9 uma disfun\u00e7\u00e3o de origem gen\u00e9tica que causa altera\u00e7\u00f5es em canais i\u00f4nicos no pr\u00f3prio nervo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim a disfun\u00e7\u00e3o nos canais i\u00f4nicos juntamente com a compress\u00e3o neurovascular pode ao longo da vida (lembrar que a neuralgia trigeminal ocorre mais frequentemente em idosos) produzir as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a ocorr\u00eancia da neuralgia trigeminal. Assim pensar em cura de uma doen\u00e7a como essa, seria necess\u00e1rio modificar a gen\u00e9tica e retirar a compress\u00e3o neurovascular para reduzir a probabilidade de haver essa conflu\u00eancia de fatores considerada a origem da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por hora a cura significa apenas o al\u00edvio da dor, removendo a compress\u00e3o vascular por meio de microcirurgia ou reduzir a sensibilidade da face para retirar a zona gatilho que desencadeia os cheques (veja melhor nesta mesma p\u00e1gina sobre os tipos de tratamento).<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tratamento<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Medicamentos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, os medicamentos mais utilizados e mais eficazes para o tratamento da dor em choque na neuralgia do trig\u00eameo s\u00e3o os anticonvulsivantes. Principalmente aqueles que bloqueiam os canais de s\u00f3dio, usados \u200b\u200bpara bloquear os disparos an\u00f4malos do nervo que causam a dor. S\u00e3o os mais eficazes no tratamento da neuralgia trigeminal parox\u00edstica do tipo choque, mas geralmente menos eficazes nas dores cont\u00ednuas e queima\u00e7\u00e3o. Os mais utilizados s\u00e3o: carbamazepina, oxcarbazepina, topiramato, gabapentina, pregabalina, clonazepam, fenito\u00edna, lamotrigina e \u00e1cido valpr\u00f3ico. Sendo os dois primeiros os mais eficazes e assim os mais frequentemente utilizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antidepressivos tric\u00edclicos, como amitriptilina ou nortriptilina, podem ser usados \u200b\u200bpara tratar a dor mais cont\u00ednua. Analg\u00e9sicos comuns e opi\u00f3ides geralmente n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis no tratamento da dor aguda e recorrente causada pela neuralgia trigeminal, embora alguns indiv\u00edduos com cont\u00ednua respondam melhor aos opi\u00f3ides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eventualmente, se a medica\u00e7\u00e3o n\u00e3o aliviar a dor ou produzir efeitos colaterais intoler\u00e1veis, como dist\u00farbios cognitivos, perda de mem\u00f3ria, fadiga excessiva, desequil\u00edbrio e quedas, supress\u00e3o da medula \u00f3ssea ou alergia, o tratamento cir\u00fargico pode ser indicado. O curso da neuralgia do trig\u00eameo \u00e9 vari\u00e1vel. Em muitos casos os sintomas e a dor que responde a medica\u00e7\u00f5es passam com o tempo. Em outros casos se observa dist\u00farbio progressivo que frequentemente se torna resistente \u00e0 medica\u00e7\u00e3o com o tempo, os indiv\u00edduos acabam procurando o tratamento cir\u00fargico. Pode haver piora ao longo do tempo e o paciente parar de apresentar resposta satisfat\u00f3ria dos sintomas com o uso continuado das medica\u00e7\u00f5es. Nesses casos o curso natural \u00e9 aumentar ou tentar associa\u00e7\u00f5es de drogas, mas frequentemente surgem os efeitos colaterais limitando o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Os medicamentos de primeira linha em geral reduzem a dor parcial ou completamente em mais de 90% dos casos. No entanto, a melhora cl\u00ednica \u00e9 frequentemente acompanhada de efeitos colaterais, incluindo tontura, diplopia, ataxia e eleva\u00e7\u00e3o de enzimas do f\u00edgado, um ou mais dos quais podem levar \u00e0 suspens\u00e3o do tratamento em at\u00e9 \u00bc dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oxcarbazepina pode ter menos efeitos colaterais e um menor potencial de intera\u00e7\u00e3o medicamentosa do que a carbamazepina, que na pr\u00e1tica a torna mais toler\u00e1vel e frequentemente substitui a carbamazepina em caso de efeitos colaterais persistentes. No entanto, pode ser limitada por sonol\u00eancia excessiva ou hiponatremia relacionada \u00e0 doses mais altas. Carbamazepina e oxcarbazepina melhoram os sintomas por reduzirem a frequ\u00eancia de descargas que caracterizam o choque el\u00e9trico e consequentemente as dores parox\u00edsticas, mas o efeito dessas drogas na dor cont\u00ednua \u00e9 geralmente limitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Gabapentina, pregabalina e agentes antidepressivos, que se mostraram eficazes no tratamento de outras condi\u00e7\u00f5es neurop\u00e1ticas caracterizadas por dor cont\u00ednua, podem ser utilizados em associa\u00e7\u00e3o com oxcarbazepina ou carbamazepina, mas em geral s\u00e3o insuficientes como droga \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia cl\u00ednica sugere que a gabapentina tem um efeito menor na neuralgia do trig\u00eamio do que a carbamazepina e a oxcarbazepina, mas est\u00e1 associada a uma menor incid\u00eancia de eventos adversos. Assim pode-se optar como monoterapia ou como terapia complementar, se associada a um perfil de efeitos colaterais aceit\u00e1veis, incluindo em pacientes com esclerose m\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros medicamentos incluem: baclofeno, amitriptilina, nortriptilina, pregabalina, fenito\u00edna, \u00e1cido valpr\u00f3ico, clonazepam, valproato de s\u00f3dio, lamotrigina, topiramato, fenito\u00edna e opi\u00f3ides. Existem diversas desvantagens para esses medicamentos, al\u00e9m dos efeitos colaterais. Alguns pacientes podem precisar de doses relativamente altas para aliviar a dor, e os efeitos colaterais podem se tornar mais pronunciados com doses mais altas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tratamento por Procedimentos Cir\u00fargicos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Descompress\u00e3o Microvascular<\/strong>&nbsp;\u2013 A descompress\u00e3o microvascular tornou-se o procedimento cir\u00fargico preferido para a maioria dos casos de neuralgia do trig\u00eamio que n\u00e3o respondem \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. Por meio de microcirurgia o cirurgi\u00e3o experiente identifica o vaso que est\u00e1 comprimindo a raiz do nervo trig\u00eamio, afastando-o do nervo, sendo interposto uma pequena esponja almofadada para manter a pulsa\u00e7\u00e3o da art\u00e9ria separada da raiz do nervo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cerca de 11% dos pacientes, o cirurgi\u00e3o n\u00e3o encontra compress\u00e3o neurovascular clara ou encontra um mero contato da art\u00e9ria com o nervo. Nesses casos, o cirurgi\u00e3o geralmente insere a esponja para assegurar a prote\u00e7\u00e3o do nervo. Apesar de serem pouco numerosos os estudos comparativos, as metan\u00e1lises sugerem que a descompress\u00e3o microvascular \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica mais eficaz para a neuralgia trigeminal cl\u00e1ssica. De 1 a 2 anos ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento, at\u00e9 88% dos pacientes apresentam al\u00edvio da dor e 80% apresentam al\u00edvio da dor em 4 a 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mortalidade m\u00e9dia associada \u00e0 cirurgia \u00e9 de 0,3%. Vazamentos do l\u00edquido cefalorraquidiano ocorrem em 2,0% dos pacientes, infartos ou hematomas do tronco encef\u00e1lico em 0,6% e infec\u00e7\u00e3o em 0,4%. A perda sensorial de parte ou toda a distribui\u00e7\u00e3o sensorial do nervo trig\u00eamio na face ocorre em 2,9% dos pacientes. Embora os estudos sejam raros, h\u00e1 evid\u00eancias suficientes para indicar cirurgia em pacientes com associa\u00e7\u00e3o de neuralgia trigeminal e esclerose m\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesses pacientes, \u00e9 comum que a neuralgia do trig\u00eamio seja resistente aos medicamentos. Embora j\u00e1 se prop\u00f4s descompress\u00e3o microvascular. os procedimentos mais indicados s\u00e3o os m\u00e9todos percut\u00e2neos, embora a radiocirurgia tamb\u00e9m possa auxiliar os pacientes.<strong>M\u00e9todos percut\u00e2neos (por pun\u00e7\u00e3o, sem corte)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Rizotomia Trigeminal por Radiofrequ\u00eancia<\/strong>&nbsp;\u2013 A rizotomia percut\u00e2nea por radiofreq\u00fc\u00eancia \u00e9 um dos m\u00e9todos de tratamentos mais utilizados para neuralgia trigeminal. Entre os m\u00e9todos percut\u00e2neos, ou seja aqueles com apenas uma pun\u00e7\u00e3o e sem corte, \u00e9 o que leva a resultados mais duradouros e tamb\u00e9m \u00e9 o m\u00e9todo mais seletivo, ou seja atua apenas na raiz que ocorre a dor. Est\u00e1 indicado em pacientes que possuam sintomas e dor nas divis\u00f5es 2 e 3 do trig\u00eamio prioritariamente ou em ambas. A termocoagula\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia danifica preferencialmente as fibras de pequeno calibre respons\u00e1veis pela veicula\u00e7\u00e3o da dor e da sensa\u00e7\u00e3o de calor. O procedimento leva por volta de uma hora e o paciente em geral deixa o hospital sem dor no mesmo dia e vai para casa. O paciente \u00e9 sedado, cuidadosamente posicionado e por meio de raio X ou tomografia uma agulha \u00e9 inserida por uma das aberturas naturais do cr\u00e2nio (forame oval) at\u00e9 o g\u00e2nglio gasseriano no cavo de Meckel onde se dividem os tr\u00eas ramos do nervo trig\u00eamio assim o cirurgi\u00e3o pode tratar apenas a divis\u00e3o alterada, mantendo as outras intactas. Seu \u00edndice de sucesso inicial varia, mas pode atingir at\u00e9 98% quando realizados por profissionais experientes. O sucesso desta t\u00e9cnica inclui pacientes que ficam completamente sem dor e sem necessidade de medica\u00e7\u00e3o e pacientes sem dor mas que necessitam de uso residual de medica\u00e7\u00f5es em doses menores. \u00c9 esperado que haja redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade na face principalmente ao calor\/frio e a dor, na regi\u00e3o em que havia antes a dor em choques. O tato se mant\u00e9m e a sensa\u00e7\u00e3o de dorm\u00eancia tende a reduzir com o tempo. Podem ocorrer recorr\u00eancias, ou seja retorno da dor em at\u00e9 20% dos casos em 5 anos. Os principais efeitos indesejados s\u00e3o a fraqueza da musculatura mastigat\u00f3ria (redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a da mordida), raramente disestesias (sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis) e anestesia dolorosa. Evita-se aplicar esta t\u00e9cnica em pessoas que apresentam dor na primeira divis\u00e3o do trig\u00eamio, para prevenir a desaferenta\u00e7\u00e3o da c\u00f3rnea e a ceratite resultante, o eletrodo \u00e9 direcionado de modo a evitar que a rizotomia inclua a primeira divis\u00e3o do nervo trig\u00eamio quando se trata dor na segunda e terceira divis\u00f5es do nervo trig\u00eamio, o que faz parte de uma t\u00e9cnica bem feita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Microcompress\u00e3o por bal\u00e3o<\/strong>&nbsp;\u2013 esta t\u00e9cnica tem sido cada vez menos utilizada, pois \u00e9 menos seletiva e menos controlada quando comparada ao bal\u00e3o e \u00e0 radiofrequ\u00eancia que hoje tem indica\u00e7\u00f5es expressas na literatura. bastante utilizada por sua rapidez e resultado imediato, assim como a radiofrequ\u00eancia. Por ser tamb\u00e9m uma por t\u00e9cnica percut\u00e2nea, ou seja por pun\u00e7\u00e3o e sem corte, leva 30 min ou mesmo e o paciente em geral deixa o hospital sem dor no mesmo dia e vai para casa. O paciente \u00e9 sedado, cuidadosamente posicionado e por meio de raio X ou tomografia uma agulha \u00e9 inserida por uma das aberturas naturais do cr\u00e2nio (forame oval) at\u00e9 o g\u00e2nglio gasseriano no cavo de Meckel onde se dividem os tr\u00eas ramos do nervo trig\u00eamio. Um pequeno bal\u00e3o \u00e9 inflado e permite a compress\u00e3o indolor do nervo e do g\u00e2nglio, ou em geral inclui nas tr\u00eas divis\u00f5es do trig\u00eamio, causando redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade nas em toda a face, em menor grau do que ocorre na radiofrequ\u00eancia, por n\u00e3o de modo seletivo. A compress\u00e3o do bal\u00e3o e atuam preferencialmente as grandes fibras mielinizadas. O al\u00edvio da dor \u00e9 imediato com essa t\u00e9cnica e foi relatado al\u00edvio inicial da dor em mais de 90% dos casos, mas h\u00e1 casos de recorr\u00eancia em at\u00e9 30% nos primeiros anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Riz\u00f3lise trigeminal por Glicerol<\/strong>&nbsp;\u2013 essa t\u00e9cnica tem sido cada vez menos utilizada pois n\u00e3o apresenta seletividade e deixa a desejar quanto a sua reprodutibilidade. Assim, em compara\u00e7\u00e3o com as outras t\u00e9cnicas percut\u00e2neas j\u00e1 citadas acima (rizotomia trigeminal por radiofrequ\u00eancia e microcompress\u00e3o por bal\u00e3o) apresenta tais desvantagens que a leva a maior n\u00famero de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Bloqueios com anest\u00e9sicos locais ou fenol<\/strong>&nbsp;\u2013 Um grupo de interven\u00e7\u00f5es cada vez menos utilizadas envolve o bloqueio perif\u00e9rico dos ramos do nervo trig\u00eamio por n\u00e3o conferirem melhora duradoura da dor, mas podem ser \u00fateis na urg\u00eancia para amenizar o sofrimento at\u00e9 que um tratamento mais definitivo seja poss\u00edvel. N\u00e3o s\u00e3o mais indicadas inje\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool absoluto ou glicerol no g\u00e2nglio de Gasser, em nervos perif\u00e9ricos pois tem o efeito imprevis\u00edvel ou mesmo realiza\u00e7\u00e3o de neurectomias que levam a anestesia perene. O objetivo de procedimentos de neur\u00f3lise (les\u00e3o do nervo)ou neurectomia (retirada completa do nervo) \u00e9 produzir uma \u00e1rea de anestesia na face que corresponda \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o do nervo que bloqueie a regi\u00e3o gatilho. No entanto, a anestesia facial \u00e9 um efeito colateral n\u00e3o requerido na maioria dos tratamentos atuais, e completamente indesej\u00e1vel. Indu\u00e7\u00e3o de anestesia na face deve sempre ser evitada pois tais procedimentos muitas vezes levam \u00e0 anestesia dolorosa (dor intensa na \u00e1rea de perda sensorial). Tais procedimentos atualmente s\u00e3o em sua maioria contra indicados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Radiocirurgia estereot\u00e1ctica<\/strong>&nbsp;\u2013 procedimentos s\u00e3o realizados por meio de sistemas de radiocirurgia como o como Gamma Knife, Cyberknife, Linear Accelerator (LINAC) s\u00e3o em geral indicados no tratamento de tumores malignos em pacientes oncol\u00f3gicos. Este m\u00e9todo \u00e9 tamb\u00e9m utilizado no tratamento da neuralgia do trig\u00eamio visa a gera\u00e7\u00e3o de uma les\u00e3o da raiz do trig\u00eamio por aplica\u00e7\u00e3o de altas doses de radia\u00e7\u00e3o concentrada no c\u00e9rebro, com gamma knife \u00e9 um procedimento introduzido mais recentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dor apenas se reduz em um per\u00edodo ap\u00f3s 8 semanas, mas pode levar at\u00e9 6 meses pois a forma\u00e7\u00e3o da les\u00e3o \u00e9 lenta. A exposi\u00e7\u00e3o a altas doses de radia\u00e7\u00e3o pode dar origem a tumores radioinduzidos, por isso tem que se optar pelo m\u00e9todo com cautela. Est\u00e1 indicado em indiv\u00edduos mais idosos os quais n\u00e3o t\u00eam sobrevida para eventualmente desenvolver tumores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este m\u00e9todo n\u00e3o necessita pun\u00e7\u00e3o ou incis\u00e3o e deve ser indicado em pacientes que n\u00e3o tem possibilidades de se realizar outros m\u00e9todos. Um desafio desse procedimento \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o precisa das coordenadas da raiz trigeminal antes de sua entrada na ponte, onde os feixes de radia\u00e7\u00e3o devem ser redirecionados para evitar danos ao tronco cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste com o al\u00edvio imediato da dor vistos com a rizotomia, bal\u00e3o e at\u00e9 a descompress\u00e3o neurovascular, o efeito analg\u00e9sico da radiocirurgia estereot\u00e1ctica com gamma knife leva de 8 semanas para se desenvolver, mas pode levar at\u00e9 6 meses. Seu \u00edndice de controle da dor gira em torno de 50% relatam al\u00edvio cont\u00ednuo da dor em 4 a 5 anos. Dorm\u00eancia facial foi relatada em 16% dos pacientes, enquanto a anestesia dolorosa est\u00e1 virtualmente ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em artigos de revis\u00e3o, incluindo v\u00e1rios outros artigos (chamado de meta-an\u00e1lise) mostrou que aproximadamente 34% dos pacientes n\u00e3o t\u00eam al\u00edvio da dor em 1 ano e requerem outros procedimentos ou que se repita a aplica\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2981&nbsp;<strong>Neuromodula\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;\u2013 em geral os m\u00e9todos de neuroestimula\u00e7\u00e3o ou neuromodula\u00e7\u00e3o est\u00e3o indicados em pacientes com neuropatia trigeminal e n\u00e3o est\u00e3o primariamente em pacientes com neuralgia trigeminal propriamente dita. Existem diversos protocolos de procedimentos de implantes para neuromodula\u00e7\u00e3o cir\u00fargico com coloca\u00e7\u00e3o de eletrodos junto aos nervos acometidos pela les\u00e3o ou sob o cr\u00e2nio, junto ao c\u00f3rtex cerebral ou mesmo na profundidade do c\u00e9rebro, para fornecer estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica \u00e0 parte do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela pr\u00f3pria sensibilidade da face ou mesmo no sistema inibidor de dor. Na estimula\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex motor (MCS), a \u00e1rea que inerva a face \u00e9 estimulada. Na estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda (DBS), as regi\u00f5es que afetam as vias de sensa\u00e7\u00e3o para o rosto podem ser estimuladas. Apenas s\u00e3o indicadas em casos em que haja les\u00e3o pr\u00e9via do nervo em situa\u00e7\u00e3o de desaferenta\u00e7\u00e3o, ou seja, quando a sensibilidade da face est\u00e1 perdida e mesmo assim h\u00e1 dor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, a neuralgia do trig\u00eameo \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o extremamente dolorosa mais comum com o avan\u00e7ar da idade, que por vezes tem-se dificuldade em diagnosticar motivando que o paciente peregrine em diversos m\u00e9dicos e dentistas antes de chegar ao especialista. Ap\u00f3s o correto diagn\u00f3stico a carbamazepina e a oxcarbazepina constituem o tratamento cl\u00ednico de melhor efic\u00e1cia e considerado de primeira linha. Contudo, muitos pacientes apresentam efeitos colaterais, e aqueles que apresentam dor cont\u00ednua concomitante t\u00eam menor probabilidade de ter uma boa resposta ao tratamento. Os testes diagn\u00f3sticos, principalmente de neuroimagem, s\u00e3o \u00fateis para identificar a causa e identificar pacientes com neuralgia do trig\u00eameo devido a doen\u00e7as neurol\u00f3gicas importantes e pacientes nos quais pequenos ramos da art\u00e9ria basilar comprimem o nervo trigemeo junto a sua emerg\u00eancia no tronco cerebral. A aplica\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios padronizados de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica para identificar a compress\u00e3o neurovascular pode auxiliar na sele\u00e7\u00e3o de pacientes para descompress\u00e3o microvascular que deve ser prioritariamente realizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A neuralgia do trig\u00eameo ou tamb\u00e9m classicamente chamada de nevralgia trigeminal, \u00e9 um tipo de s\u00edndrome dolorosa caracterizada por dor no rosto principalmente como um choque el\u00e9trico ou dor em fortes pontadas. 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